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Dia das crianças com a minha princesa

Arrumo a mochilinha da minha pequena morrendo de sono, mas eu prometi um dia inteiro no parque. Promessa é dívida, e eu odeio inadimplência.


Coloco duas fralda calça na bolsa, junto com duas mamadeiras (uma pra água, e uma pra hora do lanche), o joguinho que ela "ganhou" de presente (comprou pra eu pagar, pestinha), sua pepê e o livrinho que ela está lendo.


Ela gosta muito de ler em sua vida adulta, e acho engraçado que pequena isso se repita, porque ela é a little mais "nerd " que eu conheço, e na minha cabeça todas as littles eram criaturas fantásticas que se alimentam de brincadeiras e da energia de seu CG.


-Princesa? -chamo no corredor -Você está pronta?


-Siiiiim Daaaaaaaaaddy -ela vem correndo e pula em mim, me abraçando e dando beijinhos.


-Então vamos. Já terminei sua mochila.


-Bigado, Daddy! Posso ir na frente hoje?


-Já te disse que lugar de criança é no banco de trás.


-Mas eu sou grande! Eu já tenho assim -ela mostra seis com seus dedinhos pequenos e cheios de anéis coloridos.


-Quando você aprender a contar até 50 eu deixo você ir na frente -Digo pegando sua mão e a levando pro carro, sabendo que ainda vai demorar tempo suficiente pra eu inventar outra desculpa, até ela aprender contar até cinquenta.


-Eba! -ela dá um pulinho e começa a contar, pulando vários números e voltando a eles depois com um "não, espera".


Conversamos o caminho inteiro até o shopping onde fica o parque. Eu mais concordo do que converso, porque essa menininha quando se empolga não para quieta. É verdade, ela se concentra muito em seus livros, mas pra sair de casa é um caos!

Ela pulou no banco, tirou o cinto várias vezes, e soprou minha nuca pelo buraco do banco. Pacientemente eu peço que ela fique quietinha, e que vai se machucar se continuar. Mas não adianta:


-Se não parar com isso vai apanhar quando chegarmos. Na frente de todo mundo.

Isso sim funciona, toda vez. Até hoje eu nunca precisei bater de verdade. Estamos juntos há cinco anos.


Ela coloca o cinto de volta, e fica batendo as perninhas gordas impacientemente, em silêncio.


Quando chegamos ao shopping dou graças a Deus porque não tem fila. Compro nossos passes e entramos no parque que está começando a acordar, e preguiçosamente os brinquedos ganham vida.


Nosso primeiro brinquedo é o carrossel. Ela tem medo de altura, então vou ao seu lado segurando-a em cima do cavalinho. Quando se sente segura ela se joga pra todos os lados no cavalinho, e enquanto ela se diverte faço vários vídeos pra assistir quando eu estiver com saudade.


Depois de um pouco de labirintite, porque a pequenininha está obcecada por carrosséis desde que ouviu a música daquela... como chama? Melissa Martins? Ela me guia até o pula pula.


Eu fico preocupado, porque enquanto ela pula o vestido revela a fralda por baixo de uma calcinha cheia de fru-frus, e todo mundo consegue ver isso. Mas ela não dá a MÍNIMA. Como ela sempre diz "eu nunca mais vou ver essas pessoas".


Ainda assim, consigo pensar em mil maneiras dela machucar o coração revelando pra todo mundo que na realidade ela não tem trinta anos, e sim seis. Porém, apesar de ser o Daddy, eu não posso decidir isso por ela.


Depois de umas três horas pulando de um lado pro outro, falando igual pobre na chuva, me arrastando pra todos os brinquedos, e me forçando aos jogos de azar pra ganhar ursos de pelúcia, ela se cansa e pede pra lanchar.


-Tudo bem, vamos encontrar um bom lugar pra fazer o piquenique.


Encontro um lugar na parte gramada do lado exterior do shopping, e coloco nosso lençol, que é segurado pelas coisas mais pesadas.

Temos morango, manga picadinha, alguns docinhos de tamanhos diferentes (ela é boa em fazer, não em enrolar), e hambúrgueres. O suquinho de laranja derreteu (levo sempre congelado pra ela tomar ele no mínimo frio), e ela toma sua mamadeira sem se preocupar com as crianças que olham e apontam.

Sempre penso que essas crianças na verdade querem copiar nossas coisas divertidas. Cuidar de um adult baby tem muitas vantagens sobre cuidar de crianças de verdade.


Por exemplo, eu não preciso mentir sobre nada, não preciso segurar ela o tempo todo, e posso até mesmo dar certa liberdade que pra uma criança seria perigoso. Apesar de a responsabilidade também ser grande, ABDL é muito mais legal que ter filhos.


Depois de estar satisfeita minha menina deita em meu colo pra descansar e ler seu livro. As aventuras de Paddington é seu mais novo hiperfoco. Percebo que ela cochilou profundamente enquanto eu estava distraído pela baba que está no canto de sua boca quando ela levanta.


Com um lenço umedecido limpo seu rosto e suas mãos depois de avisar que podemos voltar a brincar, porque já se passaram quarenta minutos desde que ela comeu.


-Daaaaaddy eu quero a montanha russa agora!


-Tem certeza? Você tomou muito suco, não quer sujar a fralda aqui no parque.


-Mas eu não tenho medo! -ela começa a dar voltas ao meu redor dizendo "montanha-russa montanha-russa" até me convencer a levá-la.

Me dirijo devagar ao brinquedo, com um sentimento grande de "vai dar merda", e espero naquela fila curta por causa do horário do almoço. É sempre bom fazer os lanches em horários alternativos por isso.


Dito e feito!


Ela segurou minha mão com firmeza, com um sorriso enorme nos lábios e pulinhos de alegria até que o brinquedo foi ligado. E então gritos. Altos e agudos. Acho que meu ouvido esquerdo sangrou.


Quando o brinquedo parou, ela estava afogueada, vermelha de gritar e descabelada. Sempre adorável. Não importa o estado do cabelo.


Então descemos e ela fica quietinha. Estranho, e pergunto o motivo.


-É que... um... vamos no carrossel de novo!


-Mocinha, quero saber o que aconteceu -interrogo, olhando ela de maneira firme por alguns segundos.


-Tô com vergonha! -e esconde o rosto nas mãos. Acho que já sei o que aconteceu.

Me ajoelho pra olhar ela de baixo pra cima com o olhar que derrete ela.


-Pode contar pro Daddy. Não vou ficar bravo -beijo suas mãozinhas.


-Eu... tive am... um acidente na montanha russa...


-Fez xixi?


-Fiz aquele Fedido -ela arregala os olhos, e abraça minha cintura escondendo o rosto.

Mesmo usando fraldas há anos, parece que isso sempre é um assunto delicado, por mais que ela saiba que é um gosto em comum entre nós dois, pra ela usar, e pra mim, trocá-lá.


-Tudo bem, pequena. Daddy trouxe outra fralda. Vamos ao banheiro?


Ela agarra minha mão com vergonha dos não olhares (as pessoas estão pouco se lixando com a maneira que ela se veste na maior parte do tempo) como se achasse que o cheiro vai escapar, mesmo eu tendo certeza que não, e dizendo isso pra ela.


Entrego a mochila, e ela vai ao banheiro feminino trocar a fralda por uma daquelas fraldas calça, já que a fralda comum ela precisa de ajuda.


Confio que ela vá se limpar direitinho, porque fica grande quando precisa se trocar sozinha.


Ela leva fraldas muito a sério.


Com uma fralda limpa no lugar da suja, e as mãozinhas lavadas vamos até suas lojas favoritas comprar seu presente de dia das crianças.


-Você tem esse dinheiro, ok? -entrego pra ela o que é da sua mesada, e o valor do meu presente. Seguindo perfis de educação financeira infantil aprendi que a mesada é uma ferramenta importante -Toma a calculadora, e pode escolher. Se precisar do Daddy é só chamar.


-Posso correr pela loja!?


Penso por um instante. Isso não tá certo, mas é nossa comemoração de dia das crianças... que se dane, eu nunca mais vou ver essas pessoas.


-Pode, meu amor.


Ela grita "eba" e sai correndo, olhando pra todos os brinquedos ao mesmo tempo, tocando e analisando um por um.


No fim das contas, temos uma barbie, e um quebra cabeças de quinhentas peças, e um daqueles bonequinhos exorbitantes de Coelho.


-Pequena, tem certeza que quer esse? -pergunto sobre o quebra-cabeças enorme.


-Tenho!


-Por que não pegar um menor?


-Porque esse é grande que nem eu! -ela vai até o caixa, e a sigo. Entrega o dinheiro pra atendente, e se esconde atrás de mim, com vergonha.


Com o troco dos presentes, tomamos sorvete, e ela se suja toda. Eu acho a coisa mais fofa do mundo quando ela se suja, mas nunca deixo que fique assim por muito tempo, porque sei o quanto estar limpa é importante pra ela. Nunca vi um little lavar tanto as mãos.


Limpo suas mãozinhas com lenço umedecido, e ela coça os olhinhos, bocejando.


-Pronta pra ir pra casa, princesa?


-Quando a gente chegar a gente pode montar meu novo quebra-cabeças?


-Mas você tá cansadinha, não tá?


-Nooooooooo!


-Vamos pra casa, e depois do banho, se ainda quiser ficar acordada brincamos pode ser?


-Pode, Daddy!

 
 
 

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