
Pequenas mal comportadas
- mochikawaiiblog
- 17 de jun. de 2023
- 14 min de leitura
Atualizado: 26 de mar. de 2024
-Pequena? -papai chamou, entrando no meu quarto com a agenda da minha escola na mão.
Soltei minhas Barbies e olhei pra porta.
-O que significa isso? -ele mostrou uma das páginas da agenda, escrita com caneta cor de rosa e alguns adesivos.
-É um bilhete ué.
-Senhor Ferraz. Venho informar que Juju tirou notas baixas mas não foi culpa dela. Não brigue nem coloque de castigo. Ela está liberada das aulas de amanhã pra descansar a cabecinha cansada dela. Att diretora da escola -ele leu em voz alta.
-É uma autorização pra não ir pra escola amanhã, não leu? -quando disse isso papai passou a mão pelo rosto.
-O que tá acontecendo na escola, meu bem? -Se sentou na minha cama.
-Hmm nada -resmunguei voltando a atenção pras minhas bonecas de novo.
-Não minta pra mim.
-Não to mentindo -menti.
-Quem foi que mandou o bilhete?
-A diretora. Tá escrito!
-Você tirou notas baixas?
Não respondi. Eu tinha ido hiper mal nas provas da semana inteira... eu tentei estudar, eu juro, mas não consegui passar meia hora com os cadernos... e além do mais, não foi como se eu tivesse entendido alguma coisa.
-Colo. Agora.
Obedeci e sentei no colo do papai:
-Quantas notas baixas você tirou?
-Cinco... -papai já sabia que eu não era muito boa com essa coisa de escola. Nos conhecemos depois que eu reprovei pela segunda vez, e minha mãe me levou pra fazer uma consulta com um psicólogo especializado em coisas de carreira... ela achava que tinha reprovado porque era preguiçosa. Eu já estava atrasada um ano, por ter entrado na escola tarde (por culpa dela) e depois da segunda reprovação o resultado foi: vou fazer vinte anos e ainda to no segundo ano do ensino médio. Quando saí do psicólogo e fui pro ponto de ônibus, ele achou que eu tinha me perdido da minha mãe, mas eu expliquei que era uma menina grande. O meu papai me deu carona, pediu um táxi e me deixou na porta de casa. Por causa disso, ele sabia minha situação na escola, e não brigava comigo quando isso acontecia.
-E por que não me disse?
-Não queria te deixar triste! Você disse que estava orgulhoso pela minha nota de história, eu não queria te decepcionar...
-Meu amor, eu sempre vou ter orgulho de você.
-Isso significa que...? -não tem castigo, não tem castigo....
-Que vou te punir e depois vamos conversar. Eu ja sei que tem alguma coisa que você não está me contando e entendo os seus motivos. Mas você mentiu sobre sua nota e ainda forjou um bilhete da escola. Você sabe o que eu acho de mentiras.
-Sei, papai... Sao imaginissiveis -suspirei vencida.
-Inadmissíveis meu bem. Agora vamos. De bruços -papai me deitou no colo e levantou a minha saia. Me mandou contar, me ajudando a não perder a conta. Ele estava calmo, e não brigou comigo, e isso era bom. Significava que ele realmente me entendia, e que estava tudo bem.
Depois de dez palmadas eu já estava chorando. A mão do papai é pesada demais, mas eu não fiz pirraça porque sabia que ia ser pior. Ele sempre dizia que quanto mais rápido eu aceitasse o meu castigo mais rápido ele terminaria.
Quando recebi a vigésima palmada, papai fez um carinho no meu cabelo e me tirou do colo. Abaixou a minha saia e enxugou minhas lágrimas com carinho.
-Agora você vai ficar no cantinho, e vai pensar no que tem acontecido na escola que você não está me dizendo. Pense bem nisso e eu já volto pra conversarmos. Você entende por que está sendo punida? -papai olhou bem nos meus olhos e eu me senti péssima... eu não precisava de grandes castigos pra me arrepender do que tinha feito. Era só saber que tinha sido uma garota má que eu queria chorar.
-Sim -olhei pra baixo envergonhada.
-Ei -ele ergueu meu rosto pelo queixo -Não fica assim. Papai te ama, e por isso está te punindo.
-Eu sei, mas eu queria ser boa pro senhor -comecei a chorar, ele me abraçou, e depois enxugou minhas lágrimas mais uma vez.
-Você é a minha princesinha. Nada me fará te amar menos. Ok?
-Então... sem castigo?
-Não, pequena. Vai pro cantinho e daqui dez minutos volto pra conversarmos.
Obedeci e fui pro cantinho com desenho das regras e uma cadeira rosa. Estava com o popô ardido então achei melhor não sentar. Passei os olhos pelas regras:
✨não mentir
✨não gritar com o daddy
✨dormir quando o daddy mandar
✨usar o banheiro antes de dormir
✨não fazer pirraça
E mais algumas outras... elas ficavam ali pra me lembrar do porque eu fui pro cantinho, e me ajudar a pensar no que eu fiz. A regra descumprida foi a de não mentir, e quando o castigo acabasse eu teria que explicar qual foi a mentira, e porque eu menti. Então, se eu não estivesse arrependida, o papai me explicaria porque foi errado. Como eu sou dodói, as vezes acontece de eu fazer coisas erradas por motivos que minha cabeça inventa sozinha. O papai entende isso, mas diz que precisa me disciplinar independente disso, porque eu sou uma criança normal e o meu dodói não muda quem eu sou. Isso é bom, ele não me trata diferente nem faz aquela cara de pena ou de susto quando aparecem sintomas.
Eu escondi minhas notas porque não queria que o Matt achasse que eu sou burra. Ter vinte anos e estar no ensino médio é suficiente pra isso. Ele podia ver o quanto sou problemática e não querer mais ser meu Daddy. É uma responsabilidade muito grande, e eu queria ser boa o suficiente pra ele, mas essa preocupação mais me fazia errar do que acertar. Quando ele visse o quanto minhas notas foram ruins, ele iria até a escola pra saber o que estava acontecendo, e aí ia conversar com a diretora e seria horrível... "o que acontece é que ela é uma aluna péssima, e já deveria ter saído da escola há muito tempo, logo como ela se mostrou burra e idiota vamos expulsá-la" daí o papai me expulsaria da vida dele, e eu voltaria a morar com a minha mãe, mas ela não iria querer que uma filha ingrata, como ela diz, que saiu de casa voltasse pra lá e...
Calma. Respira fundo Juju!
Segui o passo a passo que o papai e eu desenhamos pra quando os meus pensamentos acelerassem. Eu já tinha decorado, e nos últimos dias aquilo tinha acontecido tanto que eu poderia recitá-las de trás pra frente. Papai ainda não sabia que isso estava acontecendo, porque eu não queria incomodar...
Eu não tinha contado pro papai, porque não queria ser um bebê chorão, mas uma menina da minha sala viu minha pepê e estava implicando comigo... pra ela não contar pra ninguém eu tive que guardar lugar na fila do lanche pra ela a semana toda, e aí não deu tempo de comer o meu lanche. Duas outras vezes, quando levei mini pizza e suco ela comeu e ainda jogou minha lancheira no chão. Eu estava muito triste, porque minha amiga estava de atestado e aí eu tive que ficar sozinha todos aqueles dias... a Sophia sempre me defendia das meninas bobas.
Eu não estava tomando o meu remédio direito, estava ansiosa e triste, e passei varios dias dormindo ou vendo desenho à tarde porque não consegui fazer nada. O papai não sabia disso porque eu não consegui contar e por isso eu tava de cantinho... pro papai me ajudar, ele precisa saber o que está acontecendo e eu não devo esconder nada dele.
Eu também tinha contado mentira, dizendo que a diretora mandou um bilhete, e mudado de assunto quando ele perguntou sobre as notas.
Quando o tempo acabou, eu já tinha pensado o suficiente e saí do cantinho, me sentando na cama pra esperar o papai. A regra dizia que eu podia sair do cantinho e fazer o que eu quisesse (ele dizia que assim eu poderia entender que apesar do castigo estava tudo bem) desde que esperasse ele no quarto, mas poder brincar não fazia eu me sentir melhor. Eu tinha escondido uma coisa do papai, e ele ficaria bravo e pensaria que não pode confiar em mim, e daí ele diria que não pode ser papai de uma filha mal criada...
Quando senti uma crise maior começando, fui até a folha na parede com instruções de emergência:
🧸 Pegar uma pelúcia
🧸 pegar a bubu de emergência
🧸Sentar no tapetinho de borracha e cruzar as pernas
🧸Fechar os olhos e abraçar a pelúcia
🧸Puxar o ar bem fundo
🧸Segurar a respiração por alguns segundos🧸Soltar devagar. Repetir.
Peguei Jack, meu elefante de pelúcia, o bubu que brilhava no escuro e depois de ficar sentadinha endireitei a postura e comecei a contar respirações.
Olhos fechados. Puxa o ar. Segura. Solta devagar. Um...
Puxa o ar. Segura. Solta devagar. Dois...
Contei cinco respirações até me sentir bem, e mais duas depois disso. Quando terminei, me levantei pra esperar o papai no meu lugar. Ele demorou alguns minutos, deveria estar ocupado, e eu estava ansiosa pra conversar logo... porém quando ele chegou eu percebi que não estava preparada pra olhar pra ele e dizer que menti, nem pra contar tudo que estava acontecendo.
Papai se sentou na cama comigo, e abriu as duas caixinhas de suco que tinha levado. Fizemos tim tim e bebemos o primeiro gole juntos:
-Então cupcake. Preparada pra dizer a verdade?
-Eu fiquei de cantinho por ter mentido?
-Não meu amor. Você ficou no cantinho pra pensar. Eu não gosto de te castigar, você sabe disso.
Era verdade. O papai sempre dizia que tinha diferença entre castigar e educar.
Dependendo do que eu fizesse, eu receberia castigo, mas normalmente ele só me educava. Se eu não tomasse os remédios ou não bebesse água, por exemplo, ele se sentava pra ter uma conversa comigo, e depois me deixava pensar no porquê preciso beber água, e caso eu tivesse dúvidas eu podia ir perguntar pra ele. As vezes ele pensava comigo, fazendo perguntas e me ajudando. Dessa vez, como eu tinha mentido, teria a conversa e a punição (que ele já tinha me dado).
-Isso mesmo. E você pode revisar comigo? -ele se referiu às partes da punição.
-Sim! Eu apanhei no bumbum porque os meus atos tem consequência, e fiquei de cantinho pra pensar no que eu fiz. E o castigo é pra eu me lembrar de não fazer de novo.
-Isso mesmo, minha boa garota. Agora diz pro papai. Por que escondeu suas notas?
-Eu não queria que você achasse que eu sou burra demais pra escola...
Quando eu disse isso, ele não brigou como pensei que brigaria. No lugar disso ele riu:
-Ôh meu cupcake de morango... o papai nunca te acharia burra. Você é a garota mais inteligente que eu conheço.
-Isso é porque você não conhece muitas garotas -cruzei os braços.
-Tudo bem, tudo bem... é verdade, mas...
-NADA DE MAS! -pulei da cama e apontei o dedo pra ele. Papai ergueu uma sobrancelha, e só com um olhar eu entendi o recado e me sentei novamente.
-Como eu dizia, menina atrevida, como eu dizia... você poderia ser a menina mais burrinha de todas... ainda seria a garotinha do papai.
-Eu seria?
-Sim, meu amor. Mesmo que tivesse orelhas de burro como o Pinóquio.
-Bem... então acabamos. Boa noite, eu vou pro meu quarto!
-Mocinha. Senta aqui -Daddy chamou antes que eu saísse do quarto -Você já está no seu quarto. E essa conversa não acabou ainda. O que tá escondendo do papai, ein princesa?
-Hm Hm! -neguei, colocando o bubu e tampando a boca. Eu não queria contar o que estava acontecendo, porque ele resolveria a situação do jeito dele. Eu estava com medo do que aconteceria, e me sentiria mal de contar tudo aquilo...
-Colo.
-HM HM! -eu conhecia esse truque, era assim que ele me fazia falar sempre...
-Não é um pedido. Vem -suspirei frustrada e obedeci. Assim que senti os braços do papai todas as coisas ruins que eu sentia foram embora. Fiquei segura e quentinha. Era como se todas aquelas coisas bobas tivessem sido só um sonho muito ruim e agora tudo iria ficar bem.
-É que lá na escola tem uma menina que implica comigo, e daí eu fiquei triste e passei um monte de dias sem fazer nada...
-Meu bem, você sabe que não pode fazer isso. Tem que fazer todas as suas tarefas pra manter o costume e não perder a prática depois. É como um treinamento, lembra?
-Lembro... esses dias que me senti mal, eu não tomei o remédio muito corretamente também, dai ficou tudo embolado!
-Eu já tinha notado que você estava mais quieta que o normal, mas pensei que fosse só o dodói... -papai respirou fundo enquanto acariciava meu cabelo -Quais as tarefas que não conseguiu fazer?
-Arrumar o meu quarto, comer, e algumas coisas da escola... também dormi pouco.
-Mesmo se sentindo mal, não é motivo pra mentir pra mim. Então você vai ficar de castigo.
-Mas papai!
-Você vai pra cama mais cedo, e já que a não posso contar com a senhorita pra saber o que está acontecendo eu vou te vigiar agora. A situação na escola resolveremos amanhã mesmo.
Eu não precisava contar tuuuudo pro papai saber das coisas. Ele me lia muito bem e enxergava sempre nas entrelinhas. Ele me conhecia bem e sabia tudo sobre o meu dodói. Se eu não estava cumprindo as tarefas era porque me sentia muito mal. Isso já tinha acontecido umas duas vezes, então ele sabia exatamente o que precisava fazer.
-É pro seu bem. Você sabe disso. Espera... você disse que não arrumou o seu quarto. Então como ele parece organizado?
-Não olha embaixo da cama!
Depois de ir ao banco, fomos ao shopping almoçar. A pequena estava irritada, com sono e entediada, e foi com a cara fechada o caminho inteiro:
-Com fome meu amor?
-Hm hm -ela balançou a cabeça.
-Vamos la... tem brinquedo e sobremesa!
Ela me olhou, de baixo pra cima e piscou aqueles cílios de boneca algumas vezes. Então apontou pro Mc Donald's.
-Não. A comida de lá não é boa pra você.
-Mas eu quero! -ela bateu um dos pés. Agora ela decide falar...
-Mas não vai. Comeremos no girafas ou algum outro com comida de verdade -ao me ouvir ela parou. Eu já sabia o que isso significava, e respirei fundo pra me controlar.
-Mc Donald's. Eu quero. Agora.
-Eu já disse não. A senhorita sabe que não é não. Agora para de graça, me dá a mão, e vamos.
-HM HM! -ela bateu os pezinhos no chão e me olhou brava -MAS EU QUERO! -ela gritou no meio do shopping e o meu sangue ferveu...
-Você tem três segundos. Um...
A diabinha me olhou com os olhos semicerrados e começou a andar. "Ótimo" pensei, "ela entendeu o recado, e talvez não precise levar uns tapas". Porém, ela arrebitou o nariz e andou na direção CONTRÁRIA à que deveria ir, indo sozinha sabe pra onde?
Acertou quem disse a droga da comida infeliz. Foi a gota d'Água! Com um passo a alcancei, segurei pelo braço e levei até o girafas. Ela gritou, esperneou, tentou tirar o braço da minha mão mas eu não soltei. A alguns passos do restaurante, me abaixei e a segurei com força pelos dois braços e sacudi de leve:
-Você vai parar de gritar agora, e vai parar com essa palhaçada. Eu não estou pedindo. Fui claro? -falei baixo e sério com ela, e ela começou a fazer o bico e os olhos de choro... -Sem choro. Não quero ouvir um pio. Agora vamos.
Peguei na mão dela e puxei em direção à fila. Respirei fundo algumas vezes. Precisava me controlar... eu não podia acabar brigando com ela em público assim, por mais palmadas que ela merecesse eu não a faria passar por uma situação tão humilhante. Fora que se eu precisasse me explicar pra segurança ou algo do tipo, não seria nada bom.
-Boa tarde, como posso ajudar? -a moça de uniforme amarelo me atendeu de maneira simpática. Desceu os olhos pra Bia e voltou o olhar pra mim -É... sua filha? -ela estranhou.
-O que você quer comer, meu amor? -era melhor ignorar a pergunta recebida, me direcionei à pequena, mas ela não respondeu. Só fechou mais a cara e tirou os olhos de mim -Um número seis, e... um quinze sem cebola -escolhi por ela, respirando fundo mais uma vez pra manter a calma.
-Quantos anos você tem, princesa? -ela sorriu e Bia me olhou.
-Diz pra ela, filha -soltei sua mão, e ela levantou as duas fazendo um seis.
-O que acha de escolhermos o seu brinquedo? De que cor você gosta? -ela tentou, mas Bia só se encolheu. Eu preferi não corrigi-la, ela estava enjoadinha, e eu não queria perder o resto da minha paciência -Já sei. Rosa, não é? -ela deu uma olhada nas meias e sapatos da pequena -O que você acha desse aqui? -ela pegou a mochilinha rosa com pintas de girafa, e Bia me pediu permissão com os olhos.
-Pode pegar -dei um empurrãozinho de incentivo em suas costas, e ela pegou, olhando pro chão -Como se diz?
-Bigado -fiz um carinho em seu cabelo quando ela agradeceu. Talvez minha princesinha esteja de volta no lugar do monstrinho que acordei hoje.
Paguei, abri o plástico da mochilinha, e nos sentamos. Ela explorou o brinde, olhou os zipers, e abriu os bolsos, mas nada de tocar a comida. Comecei a comer, e dei um tempo a ela. Mas nada...
-Pequena? -quando chamei, ela soltou a mochila e consertou a postura. Ótimo... ela estava brava comigo. Respirei fundo -Come meu bem.
-Não quero -resmungou. Empurrei o prato na direção dela, e ela empurrou de volta.
Fechei os olhos. Respirei fundo. Cerrei os dentes. Senhor dai-me paciência, porque se me der força eu vou acabar com a raça dessa menina...
-Vem amor... vamos lá, sim? Daddy te dá na boquinha -peguei a colher e aproximei dela.
-Não! -falou mais alto, e tentei outra vez.
-Aviãozinho -fiz as voltinhas e parei na boca dela.
-NÃO! -ela empurrou a colher e derramou toda a comida na bandeja.
Já deu. Me levantei rápido, e puxei ela pelo braço pra irmos embora.
-MINHA MOCHILINHA! -ela gritou, e voltei pra pegar aquela droga. Praticamente a arrastei até o carro, enquanto ela gritava e reclamava.
A coloquei dentro do carro, coloquei o cinto nela, e bati a porta com força.
Essa menina tava tão ferrada...
Pra sorte dela, ela foi quieta até em casa, sem chorar nem reclamar. Assim que chegamos em casa, ela foi caladinha pro quarto dela, de cabeça baixa e sem olhar pra mim.
-Volta aqui, mocinha -ela parou no mesmo segundo -Você sabe o que fez não sabe?
-Papai, eu sou só uma criança!
-Você sabe o que fez, não sabe? -repeti mais devagar. Ela abriu e fechou a boca algumas vezes, e então respirou fundo e respondeu:
-Sim senhor...
-E sabe que vai ser punida por isso, não sabe?
-Mas papai...
-Você sabe que vai ser punida por isso, não sabe? -elevei o tom de voz.
-Sim senhor...
-Ótimo. Vem -chamei e a peguei pela mão. Primeiro a levei comigo até a cozinha, e a coloquei sentada na bancada como ela gostava de ficar. Queria que ficasse tranquila, independente da punição eu não queria assustar a minha garotinha.
Preparei uma mamadeira bem quente e entreguei pra ela, depois a desci e segurei pela mão, indo em direção ao seu quarto.
-Vai me fazer tomar mamadeira super quente? -ela perguntou assustada.
-Não meu anjo. O papai nunca faria nada pra te machucar.
-Então porque eu apanho?
-Isso é outra história. Sem perguntas, sim?
Ela acenou com a cabeça. Abri a porta do quarto pra ela entrar, e coloquei a mamadeira no criado mudo. Me sentei na cadeira, e a chamei com a mão. A carinha de medo dela me cortava o coração... mas ela precisava aprender a ser educada, e eu sabia que se facilitasse uma única vez a diabinha se aproveitaria.
Ela tirou os sapatos e ficou de meias sobre o tapete emborrachado. Tirei sua saia e a encarei:
-Você sabe porque vai ser punida, Bia?
-Sim senhor...
-E porque você vai ser punida?
-Eu fui mal educada e fiz pirraça...
-E o que mais?
-Joguei comida no Daddy -ela abaixou a cabeça envergonhada.
A peguei e coloquei de bruços no meu colo. Não a faria contar, porque eu sabia o motivo daquele comportamento, e porque odiava bater na minha menina...
Bia se segurou forte em minha perna. Na quinta palmada ela já tremia com o susto. Não reclamou. Não pediu pra parar. Não fez barulho. Poderia muito bem ser uma artimanha da espertinha, me tratar apenas com silêncio, até eu me sentir culpado o suficiente pra mimá-la, mas eu sabia que ela estava tentando compensar ao invés de me irritar ainda mais.
Na décima quinta palmada, ela começou a chorar... meu coração doía tanto quanto o bumbum da minha princesa...
Bia chorou e soluçou, mas sem em segundo nenhum reclamar ou por a mão na frente. Apenas me segurava com força e deixava as lágrimas caírem no chão.
Ao completar trinta palmadas, eu alisei um pouco o seu bumbum marcado, fazendo apenas carinho:
-Shh shh shh... já passou. Acabou meu amor -esperei mais um pouco e a tirei do meu colo. Enxuguei suas lágrimas e afaguei seu cabelo. Peguei a mamadeira já morna e entreguei pra ela, que continuava soluçando enquanto começava a controlar o choro.
Vesti a calcinha dela e puxei pela mão até a cama. Tirei as cobertas, afofei o travesseiro e peguei seu dinossauro de pelúcia.
-Deita de bruços meu amor. Pra não arder okay?
-Mas papai, eu não quero naninha!
-Bia. Sem questionar sim?
-Mas...
-Já esqueceu a dor da minha mão no seu bumbum? Vou ter que te lembrar?
-Não senhor -ela resmungou e fez como pedi. Abraçou o dinossauro de pelúcia, e pôs a mamadeira na boca. Busquei a chupeta e deixei ao alcance da mão dela
-Daddy? -me chamou quando cheguei na porta.
-Sim?
-Fica comigo até eu dormir?
-Claro minha princesa -me sentei perto da cama e dei minha mão pra ela segurar -O papai tá orgulhoso de você. Aguentou direitinho a sua punição. Eu te amo, okay? Mesmo quando me desobedece. E é por isso que eu tenho que te punir. Pra te ensinar a ser uma boa princesa. Você não quer ser uma princesa ruim, quer?
-Não senhor... -ela bocejou. Em menos de cinco minutos Bia estava apagada. A cobri, e ajeitei no travesseiro. Deixei a porta aberta pra caso ela precisasse de mim.
-Dorme bem, princesa -sussurrei, mas só o dinossauro estava com os olhos abertos nessa hora.
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Acho que dada será assim 🤔